Literatura do Francisco Borja da Costa

 Octavio Lisboa Guterres Fernandes

Redenção/CE Brasil, 2012.

Francisco Borja da Costa, nasceu em Fatu-belak na região de Manatuto no dia 14 de Outubro de 1946. Filho do Rei António Costa e irmão de Luis Costa. Ele foi autor do dicionário Tétum-Português, foi poeta e militante indepedentista e também compositor do Hino Nacional de Timor Leste “Pátria-Pátria”. Fez a antiga quarta classe em Soibada e depois seguiu para Díli. Entrou para a função pública, em 1967, a título experimental. De 1968 a 1971 cumpriu o serviço militar obrigatório e, terminado o mesmo, regressou à função pública, na categoria de aspirante da Repartição de Gabinete.

No dia 25 de Abril apanhou-o em Lisboa, a estagiar no “Diário de Notícias”, regressando à ilha, já como jornalista, para o jornal “Voz de Timor”. Depois da fundação da Fretilin, cujo nome terá sido proposto por ele próprio, regressou a Lisboa, para um novo estágio na “República”. De regresso a Díli participou mais activamente nos encontros nacionalistas e, quando se deu o 25 de Abril de 1974, entrou para o movimento ASDT (Associação Social Democrática Timorense).

Francisco Borja da Costa, era o marido de Genoveva da Costa Martins. Genoveva Martins contou à agência Lusa que foi desde cedo militante da Fretilin, privando, pela mão de Borja da Costa, com dirigentes como Nicolau Lobato e Vicente Reis “Sahe”, que também seriam mortos após a invasão.

 

No 07 de Dezembro de 1975, dia da invasão Indonésia, Genoveva Martins não foi apanhada com o marido porque tinha ido dias antes a Baucau (leste), em trabalho do partido.

Borja da Costa, que estava em Díli, desprevenido e sem possibilidade de fugir para as montanhas, Borja da Costa foi assassinado nessa madrugada à frente da sua residência em Kolan-Ibun, na areia da praia Bairo dos Grilos junto a Lecidere, vestido com as sua inseparáveis calças de ganga e chapéu de Cowboy, e arrastado a ponte cais e daí atiram-no ao mar não sabe onde. Até aqui, não souberam, a própria família, o próprio filho não soube o sítio onde ele foi enterrado.

Houve uma entrevista com a viúva de Borja da Costa Genoveva Martins na agente Lusa, sobre a situação de Borja ainda estava em Díli. Borja da Costa, que estava em Díli, “foi arrastado para a ponte cais e daí atiraram(-no) ao mar não sei onde. Até aqui, não sabemos, a própria família, o próprio filho não sabe o sítio onde ele foi enterrado“, relata a viúva do poeta no filme.

Genoveva Martins contou à Lusa que; Foi torturada em sessões onde, na sua expressão, a “incendiavam” com pontas de cigarro.

Mas eu graças a Deus como tive, tenho famílias que são da Apodeti, que são defensores da integração, daí é que eu fiquei presa só durante oito meses. Salvaram-me no sentido de não continuar a ter mais violências físicas. E então fiquei detida não já dentro da prisão mas fora, durante um ano“, conta a viúva de Borja da Costa.

O Borja da Costa como autor do Hino Nacional de Timor Leste “Pátria-Pátria” e o hino do partido FRETILIN “Foho Ramelau“.  Os versos do hino nacional timorense foram escritos por Borja da Costa, que também redigiu o manifesto da Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) e o poema-hino do partido FRETILIN, “Foho Ramelau“.

O seu poema preferido de Borja da Costa não é “Pátria“. Prefere “Um Minuto de Silêncio“, onde o seu marido escreveu que “É tempo de silêncio/ No silêncio do tempo”.

Pátria-Pátria

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.

Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.

Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.

Vencemos o colonialismo, gritamos:

abaixo o imperialismo.

Terra livre, povo livre, não, não, não à exploração.

Avante unidos firmes e decididos.

Na luta contra o imperialismo

o inimigo dos povos, até à vitória final.

Pelo caminho da revolução.

“Pátria” é o Hino Nacional da República Democrática de Timor-Leste. Composta em 1975 por Afonso de Araújo com letra de Francisco Borja da Costa. “Pátria” foi adoptada em 2002 com a Restauração da Independência, como hino nacional.

O Hino Pátria foi escrito e composto na véspera da Proclamação da Independência, a 27 de Novembro de 1975, portanto. O poeta/jornalista Francisco Borja da Costa escreveu o poema e a música foi composta por Afonso Maria do Santíssimo Redentor Araújo.

No dia da independência só foi cantado o refrão, pois a letra deu muita polemica e o Maestro Simão Barreto era frontalmente contra, bem como Xanana. Segundo a Constituição este não é o Hino definitivo, mas conhecendo Timor e os timorenses, acho que é o Hino para os próximos séculos…!

O poema Pátria nunca foi “oficialmente” traduzido para Tétum, portanto a única versão oficial é o original em língua portuguesa. Já em 1975 a FRETILIN defendia a língua portuguesa como língua oficial, era como dizia o Rogério Lobato durante a campanha eleitoral: “Nós defendemos a língua portuguesa desde 1974, não quando vamos a Lisboa de mão estendida pedir dinheiro”…

“Um Minuto de Silêncio”

Calai

Montes

Vales e fontes

Regatos e ribeiros

Pedras dos caminhos

E ervas do chão,

Calai

Calai

Pássaros do ar

E ondas do mar

Ventos que sopram

Nas praias que sobram

De terras de ninguém,

Calai

Calai

Canas e bambus

Árvores e “ai-rús”

Palmeiras e capim

Na verdura sem fim

Do pequeno Timor,

Calai

Calai

Calai-vos e calemo-nos

POR UM MINUTO

É tempo de silêncio

No silêncio do tempo

Ao tempo de vida

Dos que perderam a vida

Pela Pátria

Pela Nação

Pelo Povo

Pela Nossa

Libertação

Calai – Um minuto de silêncio…

REFERÊNCIAS 

Braga, D. Francisco Borja da Costa-Pema: Um minuto de silêncio. Disponível em: http://dbraga.blogspot.com.br/2008/03/francisco-borja-da-costa-poema.html. Acesso em: Set. 2012. 

Hino Nacional do Timor-Leste. Disponível em:  http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/timor-leste/hino-nacional-do-timor-leste.php. Acesso em: Nov. 2012.

Farnandes, M. J. Borja da Costa, um poeta, uma Fundação. Quando florescer o arroz. Disponível em: http://www.instituto-camoes.pt/revista/revista14o.htm. Acesso em: Nov. 2012. 

Castro, O. Borja da Costa-Poemas-Klibur Dadolin. Disponível em: http://artoliterama.blogspot.com.br/2009/11/borja-da-costa-poemas-klibur-dadolin.html. Acesso em: Out. 2012.

Timor Leste: Viúva do poeta Borja da Costa recorda a clandestinidade e a tortura. Disponível em: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=942261. Acesso em: Nov. 2012.

 

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By Octavio Lisboa Octo

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